Monday, April 02, 2007
Tuesday, March 27, 2007
Uma pausa na Birmânia

O policial na alfândega não conseguiu esconder o sorriso ao abrir o passaporte brasileiro. Nesse país longínquo e desconhecido que é a Birmânia – hoje chamado Mianmar – turistas são raros, ainda mais vindos do Brasil.
A reação foi a mesma a cada vez que me perguntavam de onde vinha. « Nunca vi um(a) brasileiro(a) antes », afirmou o motorista, com um olho na estrada e outro no retrovisor, me analisando. Loucos por futebol, meu passaporte verdinho era indício de bom auguro, para futuras apostas em jogadores e times brasileiros, que eles acompanham acocorados ao redor de televisores coletivos, mascando uma fruta local misturada a tabaco.
Colônia britânica até 1947, o país é hoje governando por uma toda-poderosa junta militar, liderada pelo General Than Shwe. Aung San Suu Kyi – filha de Aung Sun, herói da independência contra os ingleses – e líder da oposição, se encontra em prisão domiciliar desde 1988.
Raro é o cidadão que ouse falar contra o regime. Trabalho forçado, mortes e prisões são comuns por insurreição. Em 1988, ou seja, um ano antes do massacre da Praça da Paz Celestial de Pequim, os militares utilisaram os mesmos métodos contra os universitários que pediam o fim do regime. Fontes dizem que mais de 3000 morreram ou foram enterrados vivos. Desde então, Aung San Suu Kyi pede às nações ricas que boicotem o país.
Mianmar é rico em petróleo, pedras preciosas, madeiras nobres, além de uma cultura milenar. Até Marco Polo teria passado pela Birmânia à caminho da China, e encantado com sua riqueza, ajudado os mongóis de Kublai Khan a invadir o país. Essa riqueza, no entanto é controlada pelos militares e o país se encontra hoje como se o tempo tivesse parado há 100 anos.
Yangon, ou Rangum, a capital até 2003 quando os militares mudaram para Nay Pyi Taw, tem quatro milhões de habitantes. Entretanto, energia elétrica é inconsistente, veículos são poucos e não há grandes edifícios. Uma das únicas escadas rolantes da cidade leva à Pagoda de Schwedagon, do século XI e é atração turística para os locais. No resto do país, bicicletas, carro de boi e fogões à lenha ainda são comuns. Crianças na rua pedem canetas e xampú quando vêem estrangeiros – comodidades caras e raras. O boicote anglo-americano levou também à suspensão de todas as transações de cartão de crédito no país. Desde então, tudo é pago em espécie – de preferência em dólares.
A estrutura para o turismo, no entanto, é bem desenvolvida, com ótimos hotéis, vôos organizados e pontuais, e guias que falam várias línguas. O país é seguro, roubos são raríssimos. Atrações são várias, como Pagan e seus milhares de templos e pagodas datando do século XI. O lago Inlê e a vida tradicional, com casas suspensas e plantações flutuantes, Mandalay e Yangon e seus templos. Ngapali e o azul do seu mar.
O que mais impressiona o viajante, contudo, é o povo. Não sabem o que é uma sociedade de consumo, então mantém seus valores e tradições. São acolhedores e simpáticos. Tem uma diversidade étnica invejável, devido à influência chinesa, indiana, tailandesa e também do Bangladesh e Laos. Budistas, tem uma filosofia de vida de paz e trabalho, que exercem constantemente. Mesmo na praia, os únicos a aproveitar do sol são os turistas. Herdaram um bom sistema de educação inglês, que freqüentam com assiduidade, vestidos em uniformes verdes com o tradicional longyi (ou sarongue).
O sorriso do guarda no aeroporto era genuíno. Me pareceu um povo feliz, apesar da repressão da junta militar e do temor de uma guerra civil que pode acontecer em qualquer momento caso as diferentes etnias percam realmente a paciência. Espero que nunca aconteça.
Friday, March 02, 2007
O Havaí é aqui!
Se não fosse aquele prédio horroroso... daria eté para enganar.
Aviso aos navegantes: água gelaaaaaaaaaaaaaaaada.
(Stanley - Fevereiro 2007)
Tuesday, February 06, 2007
Mais porquinhos
"Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..."Estava com saudade desse blog, de ter tempo para escrever minhas baboseiras! É uma terapia poder contar para todo mundo as loucuras dessa cidade.
Tanta coisa aconteceu, que nem sei mais por onde começar então vamos começar tudo de novo - ano novo, vida nova!
Ano novo chinês, é claro. Sim, porque aqui até o ano é diferente, nos dias 18-19 de fereveiro deixamos o ano do cachorro - literalmente o ano do cão - para o ano do Porco Dourado. Parece que Buda convidou todos os animais para uma festa e só doze apareceram. E cada um ganhou um ano. Ou seja, cada ano tem um animal e aqui não se contam as décadas, mas sim a dúzia - me vê uma dúzia de anos aí. E também não estamos em 2007 e sim em três-mil-e-lá-vai-pedrada.
Complicado, não, é super divertido. A cidade esta cheia de porcos - para todos os lados. Variam de lindinhos à umas atrocidades. Claro, sendo atrocidade a especialidade local, principalmente em termos de bom gosto.
Bom, passei só rapidinho para dar um oi e tomar um cafézinho. Depois a gente conversa mais!
Sunday, November 12, 2006
Saturday, November 11, 2006
Antes muerta que sencilla!
Friday, November 03, 2006
Coitado do meu blog
Thursday, October 19, 2006
I tube, youtube
Claro que como tudo que é aberto ao público, tem muito lixão. Milhões de retardados no mundo inteiro já testaram a fórmula (mentos + coca) = lambança x 2. Tem sempre tambéns uns engraçadinhos que acham que sabem surfar, jogar bola, jogar capoeira, e colocam os vídeos lá. Ninguém merece.
Mas o incrível mesmo é a quantidade de vídeos políticos ou sensíveis que não passariam na televisão aberta na maioria dos países. É um excelente meio de contra-propaganda. Não é de se espantar que países como a China vetem acesso a esses sites.
Em um piscar de olhos encontramos o vídeo dos guardas atirando nos tibetanos que tentam fugir do país. Mas não é só a China que tem que se preocupar. Os vídeos americanos mais votados são contra o Bush. Inclusive recentemente, quando os EUA resolveram acabar com o Habeas Corpus. Autorizaram a tortura. Tem muitos vídeos que o atacam violentamente. Aqui vai um: youtube habeas corpus
Pode-se também assistir aos vídeos do Lula. Mas esses realmente perfiro não ver. Prefiro contar carneirinhos. (Mas quem quiser... clique aqui: collor & lula)
Sunday, October 15, 2006
Hong Kong Post
Na França existe uma expressão para dizer que uma coisa foi simples - "passou como uma carta no correio". Nunca entendi o porque dessa expressão. Acho o correio francês enroladíssimo, rabugento e inclusive perderam nossos bilhetes para Roland Garros uma vez. Uma confusão para conseguí-los, e certeza que teve um funcionário dos Correios que foi no nosso lugar. Nem reembolsaram. #@#§¬#&% (lê-se como na revista da Mônica).No Brasil, também nunca tive sorte com os correios. Tem sempre uma fila do cão, gente mal-humorada e as cartas não chegam nunca. Meu marido me mandou uma da Polônia que chegou com seis meses de atraso. De jegue. Só pode. Aliás, o jegue deve ter parado em Fortaleza - para fazer um passeio nas dunas (com emoção ou sem emoção? Com emoção é quando o jegue anda).
Tudo isso para explicar a minha grande surpresa quando recebemos o envelope da foto acima. Em uma semana, fez o trajeto Genebra - Hong Kong. Pela bagatela de 10 reais (olha que era um pacote grande). Além do mais, o envelope veio empacotado, selado, com um pedido de desculpas - por causa da chuva o envelope rasgou. Se fosse no Brasil, meu envelope teria deixado um rastro pela cidade, igual Joãozinho e Maria. Ou como quando cheguei uma vez no aeroporto em Brasília e o carregador de malas jogou a minha com tanta força no tapete que a coitada abriu... E tive lá eu seguir o rastro para catar meias, suitãs e calcinhas esparramados no tapete. Vergonha? Imaginem!
Quanto à expressão francesa... deve ter sido traduzida do cantonês.
Saturday, October 07, 2006
Moon (cake) festival
A lua ontem parecia saber que a festa era toda dela. Noite clara, 25 graus, nenhuma estrela no céu, só a lua, grande e reluzente. A praia, os parques e todos os espaços abertos de Hong Kong invadidos por famílias com lanternas e mooncakes. A sensação era como um déjeuner sur l'herbe, chinês, à noite.O festival é comemorado em toda a Ásia, mas na China é coisa séria. Hong Kong, Taiwan e Macau não são exceções. Pena que estive trabalhando tanto essas semanas que não escrevi sobre a vontade que eu estava de experimentar o famoso "mooncake". O bolinho fabricado para comemorar o festival da lua.
Esses bolinhos são um fenômeno de vendas, e no escritório eu os via passar todos os dias, em caixas de todos formatos, cestas, etc. Imaginem a loucura de ovos de páscoa no Brasil misturado com comemorações de Natal. O mooncake é mais o isso. Patrões dão mooncakes a seus empregados, empresas aos seus clientes, amigos e família também trocam os bolinhos.
Em Hong Kong, não há nada que ilustre mais a divisão da sociedade local com os "expatriados" que o gosto pelos mooncakes. De um lado, os hongkonguinos (até hoje não descobri como se chamam se diz - só achei na internet um portuga perguntando como chamam os "gajos" de Hong Kong) que esperam o festival o ano inteiro e de outro os expatriados que dizem que o bolinho é horrível.
Anteontem chegou a minha hora de descobrir. Ganhei duas caixas de mooncake do Starbucks (nota, dá azar comprá-los... então tive que esperar pacientemente uma caridade alheia). Voltei no micro-ônibus me achando local, com a minha caixa de mooncakes "que nem" meus camaradas. Depois do jantar, tan-tan-tan, cortei meu mooncake. Não achei bom, nem ruim. É super esquisito, claro, uma pasta de lótus com uma gema de ovo de pato cozida no meio... não é coisa que se coma todo dia. Meu marido não quis nem saber, ele faz parte dos que consideram o bolinho execrável.
Meu erro, no entanto, foi dizer no escritório, no dia seguinte, que eu não tinha achado ruim. Que alegria. As secretárias me entupiram de bolinhos: de lótus, de pasta de feijão, com gosto de jasmim, osmantus, e não sei mais o que. Apesar da agradável caminhada ontem sob a lua, ainda estou aqui tentando digerir...








