Sunday, August 12, 2007
Saturday, August 11, 2007
Typhoon series...

Eu tinha que abrir a minha boca... fui reclamar do tufão, falando que ele estava fraquinho, nem tinha vento... paguei a língua. Taí, o ciclone deu meia volta, volver, e bateu em cheio em Hong Kong. Pela primeira vez vi o alerta T8, que é aquele que manda todo mundo ir para casa... Hong Kong sendo o paraíso dos workaholics, e vidrada em dinheiro, isso quer dizer muita coisa. Engarrafamento, impossibilidade de encontrar um táxi, guarda-chuvas voando na rua e muita gente com raiva da bolsa de valores fechar. Mas muita gente feliz de poder parar de trabalhar às três da tarde numa sexta-feira. Mesmo que seja para ir para casa e ver a chuva cair.
Não tive esse problema, porque estávamos em casa mesmo e como moramos de frente para o mar, deu para prever que a situação ia piorar, só de ver as ondas. O mar aqui é calmo, feito uma piscina. Mas de repente, o Havaí é aqui. Teve até maluco tentando surfar... não é surfista de piscina de ondas, mas quase...
Choveu, choveu e o vento soprou e soprou. Nós ficamos só aqui, na nossa vitrine assistindo. É uma lição de humildade. Só dá para admirar... e se você estiver quentinho e seco em casa... é um lindo espetáculo.
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Friday, August 10, 2007
Wednesday, August 08, 2007
Monday, August 06, 2007
Um calor do cão
Saturday, April 21, 2007
Joe le taxi
Devo ter acabado o seu dia com esse título. Você vai passar o resto do dia cantando "Joe le taxi", ou então "Vou de táxi" na versão em português. Porque música que é chata, pega. Dá dor no tímpano só de pensar na voz da Vanessa Paradis. Pior ainda, dá enxaqueca de lembrar da Angélica. Porém, nada se compara à trilha sonora dos táxis de Hong Kong.Requisitos para ser taxista em Hong Kong:
1. dirigir mal;
2. ser fã de Hello Kity;
3. ser surdo.
Depois vêm uma lista enorme de coisas em comum, que não sei se são requisitos, ou se é moda. Tipo pendurar uma caixa de Kleenex de cabeça para baixo na aba que protege contra o sol (é, naquela abinha onde você esconde a frente do rádio quando desce rapidinho na padaria). Deve ser por falta de roubo de rádio (às vezes acho que preferiria o roubo... que coisa boa entrar em um táxi em silêncio, sem RTHK gritando no último volume...).
Hello Kittys... só vendo para crer. Estão coladas nos vidros, nos bancos, versão boneca que mexe a cabeça. Raro o táxi que não tenha. Hello Kitty free não existe.
Outra mania é coleccionar telefones. Eu, com o meu Nokia capenga, versão Papirus, morro de vergonha de falar no telefone dentro do táxi. Eles estão sempre com o último modelo, GPS e bluetooth (lê-se blutusss, com a língua entre os dentes). Outro dia tentei tirar foto de um, mas não consegui por causa do ângulo. Vai aí uma fotinha mal tirada, de qualquer maneira. Ele tinha dois telefones pregados na frente e dois blutuss, um em cada orelha. Se tocarem ao mesmo tempo, dá curto.
Mas o mais interressante é o código da mãozinha. Quando você entra no carro e diz onde vai, tem sempre duas opções:
1. ou o taxista vira para trás e grita AAAN? (lembre-se o terceiro critério é ser surdo).
2. ou ele levanta a mãozinha, tipo Heil Hitler, e pisa no acelerador. Isso significa: ok, sei para onde vou.
E lá se vai, com RTHK no último volume, se você der sorte é hora do jornal, senão vai ter que escutar umas musiquinhas insuportáveis. Se tiver muito azar pega um fã de ópera cantonesa. É nessa hora que dá a maior saudade da Angélica.
Friday, June 02, 2006
Ogros e Origamis

A imagem do cobrador do trem que, ao entrar e sair do vagão, reclina o tronco em um ângulo de 45o graus em uma saudação típica japonesa, foi uma das mais marcantes da minha viagem àquele país no ano passado. Essa imagem é da personificação do respeito por outrem, desenvolvida durante séculos de convívio amontoados em uma pequena ilha. No Japão, os códigos de conduta são inflexíveis, a ponto de podar a liberdade do indivíduo para o bem da sociedade.
A China e seu bilhão de pessoas, desenvolveram um sistema contrário. A convivência de grande número de pessoas apertadas em pequenos espaços, transformou o chinês em algo exatamente contrário à delicadeza japonesa.
Chateada com a notícia da morte de um amigo e incomodada pelo calor húmido e poluído de Pequim, visitei a Cidade Proibida sem prestar atenção nos detalhes arquitetônicos. Ao invés disso, focalizei nas hordas de turistas chineses guiados por megafones esgoelantes que invadiram o palácio imperial naquele dia.
Facilmente identificáveis por seus bonés idênticos (sempre vermelhos ou amarelos) os grupos avançavam como cidade fosse desabar aquela noite (o que é, em parte, verdade, já que o governo está pondo abaixo e “restaurando” partes da Cidade Proibida para as Olimpíadas). Disputei a cotovelos meu lugar para ver as salas do trono; evitei cuspes e tossidas e prendi a respiração várias vezes, até que desisti e fui sentar-me debaixo de uma árvore, onde pude observar a manada de longe.
Assim entendi que o Japão, para possibilitar a convivência de tantas pessoas em espaço restrito, codificou a conduta social ao extremo. A China, ao contrário, retirou todo o bom senso dos seus cidadãos. Ninguém se incomoda, porque não aprenderam a serem incomodados.
Chegando a essa conclusão, me senti em paz com a minha curiosidade e passei a observar um senhor franzino e franzido que lentamente caminhava na minha direção. Tão dobrado que só conseguia olhar para o sapato gasto. Se preparou para sentar do meu lado, mas antes disso, me olhou nos olhos, cuspiu e arrotou orgulhoso o almoço do dia. Como um ogro de origami.





